Na feira RIO OIL & GAS, agora em setembro, será lançado o livro SUCESSO EM PROJETOS DE CAPITAL, de autoria de Luiz Verri, pela Editora Qualitiymark.
Neste novo trabalho o autor relata suas experiências bem sucedidas na implantação de projetos de capital; a mais significativa delas o gerenciamento do projeto de implantação de uma Planta de HDT e uma Planta de Coque, na maior refinaria do país. Neste tópico, descreve a diferença enorme entre os retornos financeiros na comparação entre um projeto bem sucedido e entre um não bem sucedido. Tendo em vista o lucro cessante imenso inerente à industria do petróleo, este assunto (atrasos em projetos de capital) é fator importantíssimo para resultados das Empresas de energia (petroleiras).
I.P.A. e P.M.I.: Descreve que I.P.A. é a sigla em inglês de uma Empresa chamada “Independent Project Analysis”; explora os principais pontos verificados por essa Empresa e recomendações, tais como o “FEL Index”, que é o que poderíamos chamar de “Grau de Definição” nas fases de estudo do negocio (FEL 1), do projeto conceitual (FEL 2) e do projeto básico (FEL 3). Quanto melhor o grau de definição, maior é a probabilidade de sucesso. Exemplos de fatores que influem no grau de definição, nas diversas fases do Projeto:
• Analise de risco qualitativa Já o P.M.I. é a sigla de uma organização não governamental, chamada “Project Management Institute”, com sede nos Estados Unidos da America, sendo que existe também o I.P.M.I, que é o “Internacional Project Management Institute”, com sede na Europa. O P.M.I., através de um manual que se chama PMBOK, oferece uma metodologia para o sucesso da implantação de projetos. Tal metodologia está subdividida em 8 (oito) áreas do conhecimento + 1(mais uma), sendo esta última , a Integração de todas as demais. As demais “áreas do conhecimento” são: Escopo, Prazo, Custo, Risco, Qualidade, Comunicação, Suprimento & Contratação e Recursos Humanos. O autor, no decorrer do trabalho, traça paralelos entre as recomendações dos órgãos citadas e as práticas utilizadas por ele, sua equipe, e a equipe da ENGENHARIA da Petrobras nos projetos acima citados.
Escopo & Integração: Para o autor, a área mais critica no caso de projetos de capital no Brasil. Más definições de escopo levam a maus resultados em Prazo e Custo, que são os objetivos principais dos projetos, além da Segurança. Assim, são mostradas as práticas que levam a uma rápida e precisa definição do escopo. Neste tópico é tratada a “Politica do Empreendimento”, que deve permear todas as fases do mesmo, assim como o “Procedimento de Coordenação”. Todos os pontos importantes devem ser abordados nestes documentos.No trabalho serão citados quais são esses pontos. Tem grande importância as questões de logística da obra, e por isso é desenvolvido um sub-tópico especifico para isso. Conquanto a melhor prática para um bom gerenciamento de escopo seja uma boa definição, ainda assim, são inevitáveis as Modificações de Escopo, ou “Change Orders”. Neste caso, o autor recomenda um rígido controle, com aprovações em níveis superiores e muito critério na aprovação, pois como já foi dito, este é um fator supercrítico para o sucesso do Projeto.
Por fim, nesse item, há a necessidade de realizar uma EAP – Estrutura Analítica do Projeto, em inglês W.B.S. – “Work Breakdown Structure”, com maestria, para o sucesso do Projeto. Existem também recomendações práticas para isso. O gerenciamento do escopo, para o autor, é tão importante, que é colocada Integração de todas as demais ‘áreas do conhecimento” junto com este tópico.
Prazo: Hoje em dia, temos muito “Engenheiros de Planejamento” e “Técnicos de Planejamento” que são na realidade “Pilotos de MSProject”. Explica-se: O sujeito aprende a colocar prazo em cada atividade ou tarefa e a dependência entre elas no programa de computador, que faz todo o resto: Sai um belo cronograma de barras, com caminho crítico em vermelho; sai também um diagrama PERT. Mas o mesmo cidadão não sabe nem fazer um nivelamento de recursos realmente balanceado. Só sabe dar o comando. E se surge um problema real não sabe como resolver. “Fast Track”, “Crush” são expressões que não dizem nada a ele. Pretende-se mostrar a importância da pessoa saber realmente fazer um planejamento de prazo, com o PERT , balanceamento de recursos e “curva S”.
Custo: O autor acredita que todo grande projeto de capital que apresenta atrasos, apresenta também aumento de custos. Isto é natural, pois se o projeto se atrasa à nossa revelia, os custos indiretos (e às vezes os diretos) permanecem por mais tempo. Então, cuidar do prazo é também cuidar do custo. Sem abrir mão de um “Controller”, que vai, semanalmente verificar os custos e atuar no sentido de minimizá-lo.
Risco: Análise Qualitativa de Risco é identificar os possíveis problemas que podem aparecer antes que os mesmos ocorram, identificando também a probabilidade e o impacto da ocorrência. A partir daí, prioriza-se e, o mais importante, elabora-se uma Plano de Ações para evitar ou mitigar o Risco. Análise Quantitativa de Risco é uma matéria que ainda engatinha no Brasil, mas que todo Gerente de Projetos deve conhecer. Estamos falando de tratar estatisticamente o valor “pessimista”; “otimista” e “mais provável”, tanto em Prazo como em Custo. A partir daí, define-se uma probabilidade de sucesso que tem embutido o risco aceito e encontra-se o Prazo e o Custo do Projeto. Eliminam-se os “chutes”.
Qualidade: Como nos ensinou o Dr. Deming, a grande garantia da qualidade está na capacitação e na motivação das pessoas. No caso de Projetos, a forma de contratação também influi muito. E ainda o fato de executarmos ou não o que chamamos de “condicionamento e comissionamento antecipado”, que pode evitar problemas quando da posta em marcha da Planta objeto do projeto de capital. No trabalho, este assunto é desenvolvido com mais profundidade.
Comunicação: Esta área do conhecimento tão relegada por nós, engenheiros, tem grande importância em qualquer gerenciamento e especialmente no caso de gerenciamento de projetos. As pessoas envolvidas no nível gerencial e de Supervisão têm que ter as seguintes noções básicas: O que comunicar, quando comunicar , como comunicar e para quem comunicar são os temas tratados no trabalho.
Suprimento & Contratação: Depois do Escopo, para o autor, o segundo fator crítico para o sucesso do Projeto de Capital. Mas só falar que tem problemas não resolve. É necessário que as duas partes entendam o que é “risco” e que parte vai assumir todo ou a maior parte do risco. Ou compartilhá-lo, que é o sistema que está funcionando bem na Europa e nos Estados Unidos. Faz se um arranjo contratual através de formulas de bônus de tal forma que ambas as partes tenham os mesmos interesses, ao invés de interesses conflitantes, como é na maioria dos casos no Brasil. Quanto ao Suprimento de bens, é necessário um acompanhamento rígido para não realizar sobre-especificações, que atrasam e encarecem os projetos.
Recursos Humanos: Esta área está intimamente ligada com todas as outras áreas. Boas relações humanas é que fazem processos eficazes. Quanto à equipe própria, temos que preocuparmos em construí-la. Pessoas juntas, mesmo que aparentemente com um objetivo comum, não formam uma equipe. Aspectos como confiança, limites e disciplina, educação, além da própria comunicação, já citada como uma “área do conhecimento”, devem ser arduamente trabalhadas. Quanto à equipe contratada, para inicio de conversa, todos devem ser tratados e respeitados como seres humanos que são. Parece forte a frase anterior, mas a realidade é que vemos muitas “obras” onde o executante é tratado pior do que os equipamentos que vão ajudar a montar. O autor toca nos aspectos motivacionais, tanto da teoria de Herzog, como da teoria de Maslow. Seres humanos têm necessidades, e quanto mais dessas necessidades, inclusive as superiores como a da auto-estima , forem preenchidas, mais motivação e consequentemente maior a Qualidade e a Produtividade.
Sobre o autor Luiz Verri - Ex-gerente geral da Refinaria de Cubatão; ex-gerente de empreendimentos da Refinaria de Paulinia, Engenheiro de Equipamentos, Project Management Professional (P.M.P.), Mestre em qualidade-UNICAMP